terça-feira, 23 de junho de 2009

Engatinhando 2

Eu não sei se é uma mania só minha, mas volta e meia quando estou andando na rua, ou durante o banho ou durante o 'passeio' diário de metrô pro Centro, às 8 horas da manhã, com o vagão superlotado superlotando ainda mais quando chega na Estácio, ou, pior ainda, na Central e talvez pra evitar um pouco que aquele sentimento de mau humor, de desespero, de não pertencimento ou o que quer que seja cresça ainda mais, eu fantasio. E esqueço do dia infernal que eu tive, do calor, das gentes empurrando e sendo empurradas, do cheiro de perfume barato, das meninas que adentraram o transporte público pra ficar ali, na minha frente, com o cabelo encharcado daquele condicionador de 1 real gosmento, da vida. É o meu momento de fuga da realidade. Sim, porque é preciso fugir da realidade pra não se perder a cabeça, pra não se enlouquecer. E eu fico perdida nos meus devaneios, quase sempre sobre situações futuras e invento diálogos, avalio pessoas, crio contos, pondero sentimentos e quando o maldito metrô abre as portas, eu simplesmente esqueço. Tudo. De bom, de ruim. Vai ver que é por isso que eu nunca escrevi nada.

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