Talvez
você não perceba o quanto seu comportamento se repete. Talvez seja
mais fácil colocar a culpa em alguém de fora do que se
responsabilizar pelos seus atos. Será assim? Você nunca está junto
com a pessoa que está contigo? Será que é mais fácil viver no
passado, pensando o que foi que levou àquela última pessoa a sair
da sua vida do que dar valor à que está agora? Me parece que você
está sempre evitando assumir responsabilidades, numa fuga
desesperada de si, e de qualquer um que ouse te tocar um pouco mais
fundo. Eu sei, eu já estive lá. E olha, seja honesto consigo. Seja
justo com quem te cerca. O problema não foi da galera da praia. Não
foi da amiga, do amigo, da família. Não, o problema não é da nova
namorada - mais uma desvalorizada, traída, coitada. O problema está
em ti, percebes? O quanto antes perceberes, mais cedo vai parar de
correr atrás do próprio rabo.
Por que não?
sábado, 9 de junho de 2018
Uma auto-análise
De certa forma eu já sabia - é o que percebo lendo alguns posts antigos desse blog. Eu já sabia, mas não queria saber e nesse saber não sabendo não sabido eu fui empurrando com a barriga alguma coisa que eu não conseguia nomear à época, mas sei agora: carência, solidão, insegurança. Eu disse que sabia? Não sei. Ninguém sabe. Porque quando a gente descobre, já mudou. Eu estava mesmo precisando de um tempo pra mim. Um tempo pra me escutar, pra estarmos assim, à sós. Eu e eu. E daqui pra frente, o que vier é da conta de Lacan, porque eu mesma não sei se dou conta. O que é que me fez usar tantas vezes as palavras 'peso', 'pesado', anulação' nos textos que postei aqui? Isso independe do relacionamento em que eu estivesse enfiada, é claro, mas vamos focar aqui no ex mais recente. E talvez no atual. Tá bom, livre associação. Vamos ver o que sai.
Eu sinto que, de certa forma, ainda estou fazendo o que os outros querem e esperam de mim, ou o que eu acho que deveria estar fazendo. Porque a verdade é que eu não faço tudo, porque me custa, me custa caro mesmo sair da cama pra fazer certas coisas. E eu me cobro porque deveria estar fazendo isso pra mim. Mas isso o que? E é pra mim mesmo? Eu vim pra cá sem marido, sem gato, cachorro, família. Eu vim pra cá sem nada, sem ninguém pra me dizer o que fazer. Vim pra cá numa condição privilegiada, já que portuguesa, sem precisar de visto, de documentação farta nem nada. Mas vim pra casa dos amigos que vivem outro ritmo, estão em outra fase da vida, ccasados, filho pequeno... aquele esquema apavorante. E me dei conta, agora que eles estão passando o final de semana fora, que eu estou vivendo a vida deles. Não foi pra isso que eu vim. De novo eu to nesse círculo bizarro de me anular e seguir o dito do outro? Então já vi que assim como foi no meu casamento, eu espero pelo outro, pra que o outro me diga o que fazer. Pra eu dar conta de tapar o furo do outro. Mas e de mim? E das minhas coisas? Se não for eu mesma, vão ficar largadas por aí, é isso?
Eu preciso realmente entrar em contato com o que é que eu quero pra mim. Com o que eu gosto e não gosto, com as coisas que eu posso fazer por mim de bom grado e tabmém pelos outro sem esperar por nada em troca. Sem esperar, na verdade. Chega de espera. E eu fico o tempo todo pisando em ovos, com medo de desagradar, de não ser útil, de ser rejeitada, mandada embora. De onde vem isso, meu Deus?! isso precisa ir embora já!
Estou pensando aqui em como reduzir minha mala. A verdade é que talvez eu possa deixar pelo menos metade dessas coisas todas pra trás e me jogar no mundo mais leve. Pra que eu preciso de tanta bagagem (e daí me percebo rindo internamente da ironia dessa ultima frase, já que né? a bagagem pesada vem em mais de um sentido).
Os últimos tempos aqui têm sido difíceis. Tudo por minha causa mesmo. Sou eu quem tem dificultado as coisas. A timidez tá batendo com tudo. Não tenho mais vontade de tentar falar alemão, porque já acho que não vou conseguir. Me sinto idiota, insegura. Uma criança para a qual pra tudo precisa de alguém que segure pela mão e ajude a fazer.
Eu sinto que, de certa forma, ainda estou fazendo o que os outros querem e esperam de mim, ou o que eu acho que deveria estar fazendo. Porque a verdade é que eu não faço tudo, porque me custa, me custa caro mesmo sair da cama pra fazer certas coisas. E eu me cobro porque deveria estar fazendo isso pra mim. Mas isso o que? E é pra mim mesmo? Eu vim pra cá sem marido, sem gato, cachorro, família. Eu vim pra cá sem nada, sem ninguém pra me dizer o que fazer. Vim pra cá numa condição privilegiada, já que portuguesa, sem precisar de visto, de documentação farta nem nada. Mas vim pra casa dos amigos que vivem outro ritmo, estão em outra fase da vida, ccasados, filho pequeno... aquele esquema apavorante. E me dei conta, agora que eles estão passando o final de semana fora, que eu estou vivendo a vida deles. Não foi pra isso que eu vim. De novo eu to nesse círculo bizarro de me anular e seguir o dito do outro? Então já vi que assim como foi no meu casamento, eu espero pelo outro, pra que o outro me diga o que fazer. Pra eu dar conta de tapar o furo do outro. Mas e de mim? E das minhas coisas? Se não for eu mesma, vão ficar largadas por aí, é isso?
Eu preciso realmente entrar em contato com o que é que eu quero pra mim. Com o que eu gosto e não gosto, com as coisas que eu posso fazer por mim de bom grado e tabmém pelos outro sem esperar por nada em troca. Sem esperar, na verdade. Chega de espera. E eu fico o tempo todo pisando em ovos, com medo de desagradar, de não ser útil, de ser rejeitada, mandada embora. De onde vem isso, meu Deus?! isso precisa ir embora já!
Estou pensando aqui em como reduzir minha mala. A verdade é que talvez eu possa deixar pelo menos metade dessas coisas todas pra trás e me jogar no mundo mais leve. Pra que eu preciso de tanta bagagem (e daí me percebo rindo internamente da ironia dessa ultima frase, já que né? a bagagem pesada vem em mais de um sentido).
Os últimos tempos aqui têm sido difíceis. Tudo por minha causa mesmo. Sou eu quem tem dificultado as coisas. A timidez tá batendo com tudo. Não tenho mais vontade de tentar falar alemão, porque já acho que não vou conseguir. Me sinto idiota, insegura. Uma criança para a qual pra tudo precisa de alguém que segure pela mão e ajude a fazer.
domingo, 27 de outubro de 2013
é isso. vc se priva. o tempo todo vc se priva. a pessoa não quer, não gosta, bufa e tudo. ela não quer estar lá; e vc a força. a culpa é sua, pois vc a força. e quando vc quer estar feliz ela não te permite, pois vc a forçou estar lá, amarrada a vc. e daí vc quer fugir, se soltar, estar em outro lugar, em outro planeta, mas ela está lá, bufando e ao teu lado. fazer o que?! Bufar junto não resolve. infelizmente. tudo o que eu queria era ficar bem, calma, tranquila, sendo ouvida, essas coisa de humanidade. mas na verdade vc está só, completamente só. a outra pessoa finge te complementar, mas na verdade só vc mesmo se complementa. fujam. corvos, abutres, ilusões. fujam todos. faça o que é necessário pra ti. só pra ti. pra mais ninguém. o resto é resto.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Verdades III
O primeiro beijo foi mágico e tratou de ferrar de vez com os próximos anos da minha vida. Antes eu tivesse resistido àquela promessa principesca de um relacionamento encantado, que duraria por toda esta e outras vidas. Mas não. Idiota, sonhadora, adolescente ainda, caí. Duas semanas depois desse primeiro beijo estávamos namorando. E eu, irremediavelmente apaixonada. No início, dizem, tudo é lindo. Mas não. Os meus inícios são sempre conturbados. Detesto ter que me adaptar aos hábitos do outro, entender os mecanismos do outro, tenho verdadeiro pavor. Ou talvez seja só preguiça. A questão é que com ele não foi diferente. De vez em quando dava até aquela saudade do ex, que já entendia quando eu não estava de bom humor, quando estava passageiramente triste e até o que gostava de comer (resumindo, já estava devidamente treinado). Mas este tinha que aprender tudo do zero. E, desde sempre, paciência nunca foi o meu forte (embora com ele a paciência tenha aumentado bastante, afinal, era o meu príncipe, só faltavam algumas adaptações).
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Verdades II
Era uma vez uma linda princesa que se deixou apaixonar por um lindo príncipe de olhos azuis. Até isso era mentira. The fairytale gone bad. E eu achava que era tudo culpa minha. tudo começou muito mal, embora eu insiste em dizer que começou como sempre começam as coisas, do começo. Mas a verdade é que começou meio que da metade, cheio de enrolo, de crítica, de enganos, mas com uma máscara cor-de-rosa irresistível. Eu tinha namorado, ele também. Eu não gostava mais do meu, a dele também não gostava mais dele. Ficamos amigos inseparáveis logo nos 10 primeiros minutos. Uma coisa eu nunca pude negar: nosso papo flui de uma maneira quase perfeita, um completando as idéias do outro. Em pouco tempo a tal namorada deu no pé e eu, que não tinha coragem de terminar com o meu pobre e desamparado futuro ex, após uma tentativa de conversa, pedi um tempo e voltei logo dois dias depois. Por carência, por pena, de mim, dele, sei lá. O detalhe foi que eu não contei a ninguém que fui fraca e voltei atrás. A partir deste dia (quase) todos achavam que eu tinha realmente terminado meu namoro de 2 anos. Ele aproveitou pra cair em cima de vez. Eu fiquei [o que pareceu] séculos inventando desculpas idiotas para não beijá-lo e a cabo deste tempo, mesmo eu tendo finalmente terminado em definitivo com o ex, tinha-se criado um mito absolutamente insuperável sobre o tal beijo, que era pra acontecer naturalmente e foi proibido, tudo por causa de uma mentira. E não parou por aí. Essa foi a primeira de muitas outras mentiras contadas por ambas as partes durante quase cinco anos de relacionamento. Já disse... aos poucos...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Depois do começo
Ele se dizia um cara de sorte. Nossa! Como é que esses idiotas todos deixaram você ir embora? E está fazendo o mesmo. Explosivo, quem sofre o pato sou eu. Ultimamente qualquer coisa é motivo pra dizer pra gente terminar então ou pra dizer que eu falo muito no ouvido dele e solta um "agora você conseguiu". Consegui o que?! Justamente! Não tenho conseguido nada! Nada! Se recusa a ver qualquer coisa que não queira, odeia ser contrariado. Joga as coisas, xinga... presença pesada, está me pesando. Eu queria tudo cada vez mais doce. Ele me dá o amargo. O choro, frequentemente. Tô cansada de ser compreensiva. Cansada de correr atrás. Cansada de achar que vai dar certo. Capaz de não dar, sabe?
ele e ela
Largou a análise. Defende outras formas de terapia. Ao ser minimamente contrariado diz "pronto, agora você conseguiu" e fecha a cara ou "vamos terminar então". Minha paciência está no telhado. Não vejo perspectiva de melhora. Analista. Lacan. Se faz de vítima. Manipuladora. consegui cortar. Eu aguento mais do que todos. Síndrome de Super-Homem. Seria mais fácil se eu não gostasse. Idiota. Me anulo por ser mais estável. Sinal de instabilidade. Todos podem dar piti. Eu não me permito. Nunca soube fazer. Estou cansada. Vontade de ir embora. Tanto, que se isso significasse morrer, tanto faz. Incompreendida, irreconhecida. Responsável além do limite. Coração mole, as pessoas abusam. Me sinto na obrigação de. Compreensiva além de qualquer compreensão. Os dois favoritos longe. Bons tempos. Melhores que os de agora. Mais doces. Agora, só o amargo. Antes, a total desnecessidade de ser igual. Identificação, embora tão diferentes. Agora, trapaça, chantagem emocional, fraqueza de caráter, fraqueza. Confusão.
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