quinta-feira, 10 de março de 2011

Todo Carnaval tem seu fim

Acordei e ele não estava mais lá. Ficaram os cacos, que eu ajudei a catar, as taças quebradas espalharam vinho por todo lado. Ele, sem chave, sem celular. Eu, sem dinheiro pra voltar pra casa. Cobrei uns favores, cheguei ao meu chuveiro, um bom banho pra pensar melhor. Quando, de repente, percebi que não tinha desculpa praquilo tudo. Eu tentei entender. Eu concentrei todas as minhas energias em entender. Eu tive medo de que tivesse acontecido alguma coisa, com ele, comigo, com a gente, e não me lembrava de nada que pudesse explicar. Ele sumira sem razão. Pior, quando soube que estava vivo, foi justamente pela pessoa pra que eu menos queria alardear o sumiço e, vulnerável, aliviada e com raiva, só pude chorar e escutar sobre a repetição, sobre a maldita repetição a que eu nunca dei causa, que eu nunca quis pra mim. Porque ele repete sem saber o motivo, sem conseguir explicar, e eu não tenho nada a fazer a não ser. Quando ligou, eu estava seca. Não sentia mais nada. Não queria ver, sentir, ouvir, aturar, seja lá qual for a palavra. E ainda tive que ouvir ironias ao telefone. Pra que?! Que raiva é essa?! De onde veio isso?! Eu, sem conseguir entender, mas me recusando a ficar em casa perdendo meu tempo tentando juntas as peças e os cacos restantes, ainda recebo um recado: havia postado na internet, pra mais de mil pessoas que eu era uma piranha. Acabou. Chega. Já deu, eu não quero mais isso, essa loucura, esse desespero, essa angústia. E depois diz que não-meu-amor-não-era-pra-você, mas isso sequer importa! Isso é o que você chama de cuidar de quem ama? Postar frases que, na melhor das hipóteses, podem ser dúbias a respeito da pessoa? E explicou tudo e eu desculpei, dei uma segunda chance, mas a verdade é que meu coração ainda vai demorar pra se entregar de novo. Tomara que não tenha se decidido pelo fim.

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