De certa forma eu já sabia - é o que percebo lendo alguns posts antigos desse blog. Eu já sabia, mas não queria saber e nesse saber não sabendo não sabido eu fui empurrando com a barriga alguma coisa que eu não conseguia nomear à época, mas sei agora: carência, solidão, insegurança. Eu disse que sabia? Não sei. Ninguém sabe. Porque quando a gente descobre, já mudou. Eu estava mesmo precisando de um tempo pra mim. Um tempo pra me escutar, pra estarmos assim, à sós. Eu e eu. E daqui pra frente, o que vier é da conta de Lacan, porque eu mesma não sei se dou conta. O que é que me fez usar tantas vezes as palavras 'peso', 'pesado', anulação' nos textos que postei aqui? Isso independe do relacionamento em que eu estivesse enfiada, é claro, mas vamos focar aqui no ex mais recente. E talvez no atual. Tá bom, livre associação. Vamos ver o que sai.
Eu sinto que, de certa forma, ainda estou fazendo o que os outros querem e esperam de mim, ou o que eu acho que deveria estar fazendo. Porque a verdade é que eu não faço tudo, porque me custa, me custa caro mesmo sair da cama pra fazer certas coisas. E eu me cobro porque deveria estar fazendo isso pra mim. Mas isso o que? E é pra mim mesmo? Eu vim pra cá sem marido, sem gato, cachorro, família. Eu vim pra cá sem nada, sem ninguém pra me dizer o que fazer. Vim pra cá numa condição privilegiada, já que portuguesa, sem precisar de visto, de documentação farta nem nada. Mas vim pra casa dos amigos que vivem outro ritmo, estão em outra fase da vida, ccasados, filho pequeno... aquele esquema apavorante. E me dei conta, agora que eles estão passando o final de semana fora, que eu estou vivendo a vida deles. Não foi pra isso que eu vim. De novo eu to nesse círculo bizarro de me anular e seguir o dito do outro? Então já vi que assim como foi no meu casamento, eu espero pelo outro, pra que o outro me diga o que fazer. Pra eu dar conta de tapar o furo do outro. Mas e de mim? E das minhas coisas? Se não for eu mesma, vão ficar largadas por aí, é isso?
Eu preciso realmente entrar em contato com o que é que eu quero pra mim. Com o que eu gosto e não gosto, com as coisas que eu posso fazer por mim de bom grado e tabmém pelos outro sem esperar por nada em troca. Sem esperar, na verdade. Chega de espera. E eu fico o tempo todo pisando em ovos, com medo de desagradar, de não ser útil, de ser rejeitada, mandada embora. De onde vem isso, meu Deus?! isso precisa ir embora já!
Estou pensando aqui em como reduzir minha mala. A verdade é que talvez eu possa deixar pelo menos metade dessas coisas todas pra trás e me jogar no mundo mais leve. Pra que eu preciso de tanta bagagem (e daí me percebo rindo internamente da ironia dessa ultima frase, já que né? a bagagem pesada vem em mais de um sentido).
Os últimos tempos aqui têm sido difíceis. Tudo por minha causa mesmo. Sou eu quem tem dificultado as coisas. A timidez tá batendo com tudo. Não tenho mais vontade de tentar falar alemão, porque já acho que não vou conseguir. Me sinto idiota, insegura. Uma criança para a qual pra tudo precisa de alguém que segure pela mão e ajude a fazer.
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